quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Will Eisner

Schumacher, Michael. Will Eisner – um sonhador nos quadrinhos. Biblioteca Azul - Globo; São Paulo / SP; 2013; 408 páginas.

Breve relato do autor:

Michael Schumacher é um autor norte-americano, que tem mais de dez livros publicados. Entre eles, biografias de Allen Ginsberg, Eric Clapton, Phil Ochs, George Mikan e Francis Ford Coppola.

Dados da obra:

Will Eisner foi um pioneiro que alçou as HQs ao status de “nona arte”. A biografia Will Eisner: um sonhador nos quadrinhos traça a longa trajetória de vida, arte e trabalho desse cartunista que fez das ruas de sua Nova York um rebuscado mundo de paixões, frustrações, alegrias, medos e experiências. E também trata de um dos períodos menos conhecidos da carreira do artista, os vinte anos que desenhou e editou manuais educativos para o Exército.

Passagens:

“A cidade para mim, é um grande teatro”, dizia ele. “É uma fonte inesgotável de histórias, principalmente por causa de grande concentração de seres humanos, cuja vida tem impacto uma sobre a outra. E cada ser humano traz consigo uma história completa. É a luta pela existência.”

... Billy chegava em casa com cortes, machucados, olho roxo, ainda nervoso com a última lista de insultos que lhe haviam jogado na cara, e a única reação de seu pai era dizer que intolerância, infelizmente, era algo que fazia parte de viver numa cidade com gente tão variada. Sam explicava que os italianos e irlandeses que pegavam Billy para vítima já tinham sido, eles mesmos, vítimas de preconceito.

“... A noção mais básica do processo criativo é que a arte é a expressão do indivíduo em comunhão com as musas. Will representava algo bem mais complicado: uma forma de fazer arte colaborativa, cooperativa, a mistura de arte e comércio de maneira que um não negava nem corrompia o valor do outro.”

Tudo levava a crer que a tranquila vida suburbana da Eisner, quando longe do trabalho, fora projetada por um home que queria evitar uma reprise de sua própria infância. White Plains, a uma curta viagem de trem de Manhattan, vangloriava-se de suas ruas arborizadas, uma família em cada residência, boas escolas, e a sensação de ordem que fazia falta no tráfego apressado dos pedestres, nas buzinas dos carros e entre as luzes de neon 24 horas da cidade e o subúrbio –, ma sua esposa estava contente em fugir da cidade de sua juventude para dar uma vida mais idílica aos dois filhos. Eisner deleitava-se com a energia de Nova York, mas também estava determinado a cuidar para que seus filhos nunca passassem por nada da vida que ele conhecera crescendo nos cortiços.

Uma questão importante fez a balança pender a favor de War4ren: “Eu me sentia melhor lidando com uma editora pequena por questões práticas”, Eisner viria a explicar. “Para Jim Warren, eu era um entre quatro ativos na sua mão. Para a Marvel, eu era um entre quatrocentos. Achei que receberia mais atenção e cortesia de Jim Warren do que da Marvel.”

Sam Eisner, sonhador até o fim, faleceu em 1968, aos 82, uma década antes da publicação de Um contrato com Deus e dos elogios que se seguiram às graphic novels do filho. Sam nunca abandonou sua paixão pela arte e pintava paisagens, algumas em escala gigante, como se estivesse tentando expressar a extensão dos sonhos de que nunca desistira, mesmo em idade avançada.

“Estamos acostumados a vê-la dos arranha-céus, geralmente com uma sinfonia triste tocando de fundo, enquanto a câmera faz uma panorâmica da cidade e você vê o topo do0sprédios. Mas ninguém vê a cidade da mesma forma que eu – da forma que todos que vivem nela [veem] – com os esgotos, os hidrantes, as escadarias, as filigranas, as grades, as escadas de incêndio. É isso que a gente da cidade que vive na cidade vê todos os dias. É isso que é a cidade.”

Neil Gaiman uma vez perguntou a Will Eisner por que ele ainda trabalhava numa idade em que a maioria de seus contemporâneos havia se aposentado. Eisner pensou sobre a pergunta e respondeu citando um filme que havia assistido sobre um músico de jazz que continuava a tocar porque estava em busca “Daquela Nota” – o símbolo esquivo da perfeição, o indicador de que ele havia alcançado tudo o que poderia alcançar. Era essa busca que mantinha Eisner na ativa.

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